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Notícias

Entrevista a João Tiago Silveira, porta-voz do PS

Excertos da entrevista ao Diário de Notícias de 19/07/09

Então, considera que a governação Durão Barroso, que tinha como ministra Ferreira Leite, não facilitou o caminho ao PS?
A herança de Manuela Ferreira Leite, que era número dois do Governo PSD-CDS, foi um défice de 6,83%. São dados objectivos, tal como é um dado objectivo que durante esse período não houve incentivos às empresas para que pudessem ser competitivas e exportar mais. Eliminaram-se os incentivos fiscais à investigação e desenvolvimento, não houve uma política orientada para o crescimento! Só que o que torna Portugal competitivo é o crescimento, as exportações e, ao mesmo tempo, as contas públicas em ordem. E isso o Governo PSD, de Manuela Ferreira Leite, não nos deixou. Foi o PS que o fez.
Refere-se às pequenas empresas mas são as grandes construtoras do regime que estão desagradadas com Manuela Ferreira Leite, e que querem o PS que lhes dá as grandes obras públicas.
É um erro achar que as obras públicas só beneficiam as grandes empresas. Nas obras públicas em estradas e auto-estradas, o número de grandes empresas contratadas é de 40 mas o número de pequenas e médias empresas que aí participam é de 700. O número de trabalhadores das grandes é de 6500 enquanto os das pequenas é de 26 mil. O que quer dizer que as obras públicas beneficiam o emprego e as pequenas e médias empresas. Manuela Ferreira Leite não fala verdade quando diz que estas obras públicas não beneficiam as pequenas e médias empresas.

Acha que esse silêncio de Manuela Ferreira Leite é o segredo do sucesso do PSD?
Acho que quem perde com isso são os portugueses e a democracia. Manuela Ferreira Leite não diz o que quer fazer, só diz o que não quer. Só diz o que quer suspender, o que quer parar, que o melhor é ficar parado à espera que a crise passe. Ora, o que os portugueses têm direito é de conhecer os programas e as ideias que os partidos lhes apresentam para o futuro. O que Manuela Ferreira Leite e o PSD dizem é que rasgarão as políticas sociais do Governo.


As quatro medidas anunciadas há dias para a Educação contrariam esse silêncio.
As medidas de que falou para a Educação são não medidas. Que vai alterar o Estatuto da Carreira Docente e outros diplomas, mas não refere em que sentido os fará. Na Educação tivemos um grande conjunto de medidas e Manuela Ferreira Leite não fala sobre isso. Só o facto de dizer que rasga políticas sociais é grave.

Desde a sua primeira aparição como porta-voz que associa "Manuela Ferreira Leite" a "fala mentira". É a estratégia até às eleições juntar a líder do PSD à falsidade?
A questão não é de estratégias mas de que num debate democrático os portugueses têm o direito a conhecer o que os partidos propõem, sobretudo numa altura em que ultrapassámos uma crise mundial e a líder do PSD não diz o que vai fazer. Disse que estava contra o acordo que foi celebrado na Concertação Social com os sindicatos e as confederações patronais para elevar o salário mínimo nacional até 500 euros em 2011. Ficámos a saber que vai rasgar este acordo que até 2011 ia beneficiar muitas pessoas com um aumento extraordinário do salário mínimo nacional. Ficámos a saber também que vai rasgar o complemento solidário para idosos, que ajudou a tirar, até agora, 200 mil idosos da pobreza. Portanto, as pessoas precisam de saber aquilo que o PSD e Manuela Ferreira Leite propõem, o que até ao momento sabemos é o que querem destruir. Naturalmente que desejo colocar as questões no plano do debate de programas e ideias, mas para isso é preciso ter - o que o PS faz - e é necessário que o PSD apresente ideias e o que quer.

Portanto, não foge à verdade quando associa "Manuela Ferreira Leite" e "mentira" ?
Manuela Ferreira Leite é que diz que quer falar verdade, mas para o fazer é mesmo preciso falar verdade. É preciso dizer aos portugueses que o resultado da governação PSD-CDS, de que foi número dois, foi deixar as contas públicas num caos. Que não conseguiram aumentar a competitividade. E, sobretudo, não esconder o que se quer fazer. Disse também que o Estado só deve intervir na Justiça, Defesa, Segurança Interna e nos Negócios Estrangeiros e que deve sair das outras áreas e o que o PS afirma é que isto significa que o PSD quer privatizar a Segurança Social - já o defendeu na Assembleia da República - e a Educação, e nós não concordamos porque achamos que o Estado tem aí um papel fundamental. Para falar verdade é preciso responder a estas questões!

Quando lhe faço uma pergunta responde fechando o círculo e evitando abrir brechas. Receia que o PSD entre no discurso?
O PS tem um discurso que tem a ver com aquilo que os portugueses esperam de nós nesta altura: dar resposta às suas ansiedades. Como é que os vamos ajudar a usar instrumentos de defesa contra o desemprego, ajudar as pequenas e médias empresas a ultrapassar esta situação? Só quero colocar no debate político a melhor opção para as pessoas escolherem. Por isso é que sou tão rigoroso ao pôr todas as questões a nível de programa, de ideias e da solução que os partidos apresentam.

Tal como defender o PS das mossas que Mário Soares faz nas suas intervenções?
Mário Soares não faz mossas. É uma referência do PS e, se quer mesmo saber, é a minha referência no Partido Socialista. Portanto, convivemos muito bem com as divergências de Mário Soares e de outros socialistas.

Como é o caso de Manuel Alegre?
Alegre é outra figura e referência histórica do PS e é bom que participe na elaboração dos programas e das propostas do partido.

Qual é, então, o papel das novas gerações?
Não acho que por uma pessoa ter a idade de Soares ou de Alegre esteja na reforma. A riqueza do partido político faz-se de pessoas de várias gerações e percepções diferentes e a renovação do PS faz-se também com pessoas que tragam novas perspectivas, e muitas vezes isso vem de socialistas ou pessoas novas. É a ordem natural da vida! Recuso-me a dizer que há gente a chegar e outros a reformar-se.

João Tiago Silveira, porta-voz do PS, excertos da entrevista ao Diário de Notícias de 19/07/09

há 1 ano e 1 mes

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